O FRIO E AS BAIXAS TEMPERATURAS TÊM EFEITOS NA DOR CRÔNICA?
- Dra. Inácia [Medicina da Dor]
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- 19 de mai.
- 2 min de leitura
Baixas temperaturas podem exacerbar dores crônicas em muitos pacientes, especialmente aqueles com fibromialgia, osteoartrite e outras condições musculoesqueléticas.
Isso acontece através de mecanismos que envolvem sensibilização neuronal, rigidez muscular e alterações na percepção da dor.
No entanto, a relação entre frio e dor é complexa, com variabilidade individual significativa e evidências científicas que mostram tanto associações consistentes quanto resultados conflitantes.

Evidências sobre temperatura e dor crônica
Uma revisão recente de 2025 consolidou evidências sobre o impacto da temperatura ambiente em várias síndromes de dor crônica:
Fibromialgia: Pacientes frequentemente relatam exacerbações da dor devido a mudanças de temperatura, com estudos mostrando limiares mais baixos para dor induzida por calor e frio comparados a controles saudáveis.
Osteoartrite: Pacientes relatam frequentemente aumento da dor e rigidez associados a temperaturas mais baixas e maior umidade.
Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC): Pacientes exibem sensibilidade aumentada à dor com mudanças de temperatura, com estímulos quentes e frios potencialmente agravando os sintomas.
Magnitude do efeito
Meta-análise sobre osteoartrite demonstrou que:
Temperatura está negativamente correlacionada com dor, ou seja, quanto menor a temperatura, maior a dor.
Pressão barométrica está positivamente correlacionada com dor.
Umidade relativa mostra correlação positiva mais fraca.
Um estudo prospectivo com 94 pacientes com doenças reumáticas crônicas mostrou que uma queda de 10°C na temperatura corresponde a um aumento de 0,5 pontos na escala numérica de dor (escala de 0 a 10). A temperatura explicou 22% da variância da dor.
Rigidez muscular e articular
Embora pacientes frequentemente relatem rigidez aumentada com o frio, os mecanismos exatos permanecem incompletamente compreendidos. Hipóteses incluem:
Aumento da viscosidade do líquido sinovial: Temperaturas mais baixas podem aumentar a viscosidade do fluido articular, dificultando o movimento.
Vasoconstrição: O frio causa constrição dos vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo sanguíneo para músculos e articulações.
Contração muscular reflexa: Exposição ao frio pode induzir contração muscular protetora, aumentando a rigidez.
Alterações na pressão intra-articular: Mudanças na pressão barométrica podem afetar a pressão dentro das articulações.
Sensibilidade ao frio e alodinia: fibromialgia e hipersensibilidade ao frio
Revisão sistemática sobre fibromialgia e temperatura revelou achados consistentes:
Limiares de dor ao frio (CPT) reduzidos: Todos os 17 estudos de teste sensorial quantitativo mostraram CPTs numericamente reduzidos em pacientes com fibromialgia (10,9°C a 26,3°C) versus controles (5,9°C a 13,5°C).
Sensibilização anormal: Evidência consistente de sensibilização anormal dos sistemas de sensação de temperatura em pacientes com fibromialgia.
Implicações clínicas e recomendações: validação da experiência do paciente
Compreender que a sensibilidade ao frio é real e tem base neurobiológica pode:
Ajudar clínicos a fornecer reasseguramento e orientação aos pacientes.
Validar a experiência subjetiva do paciente.
Direcionar pesquisas futuras sobre o impacto cotidiano dessa hipersensibilidade.
Estratégias de manejo
Embora a evidência seja limitada, estratégias potenciais incluem:
Proteção térmica: Uso de roupas adequadas, aquecimento de ambientes.
Terapia com calor local: Aplicação de calor pode aliviar sintomas em alguns pacientes (fibromialgia é caracterizada por dor exacerbada pelo frio, mas aliviada pelo calor).
Exercício regular: Melhora da circulação e função muscular.
Manejo do estresse: Níveis de estresse moderam o impacto das mudanças climáticas na dor.
Abordagem individualizada: Reconhecer que a resposta ao frio varia significativamente entre indivíduos.
Dr Inácia Simões
Anestesiologia e Medicina da Dor



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